A constatação que a capacidade de suporte do planeta estava chegando ao seu limite data do final dos anos 60, onde os efeitos da poluição e a possibilidade de esgotamento dos recursos naturais começaram a fazer parte das discussões no âmbito político e econômico.
Por Cláudio Reis
Introdução

Na década de 70, o Clube de Roma emitiu o relatório Limites de crescimento econômico (Meadows et al., 1972), que sugeriu o crescimento econômico zero como forma de controlar a degradação ambiental, causando perplexidade no meio científico e na sociedade em geral.

Este enfoque, no entanto, foi superado pelo conceito de desenvolvimento sustentável que principalmente a partir de 1987, quando da divulgação do relatório Brundtland, elaborado pela comissão mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento da ONU, também conhecido com relatório “Nosso futuro comum”, tem predominado como conceito chave para garantia da vida futura no planeta.

Justificativa

O propósito deste trabalho é analisar a capacidade de reversão da trajetória de degradação que alguns indicadores mostram como insustentável para a vida futura do planeta, através da aplicação  e desenvolvimento de novas tecnologias , considerando os aspectos políticos-econômicos envolvidos.

Desenvolvimento

Em seu livro “Um projeto para um planeta mais seguro”, Nicholas Stern apresenta um cenário que sugere a necessidade de redução pela metade das emissões globais de gases de efeito estufa, até o ano de 2050. Segundo Stern, do ponto de vista econômico, seria necessário investimento na ordem de 1 trilhão de dólares, em torno de 2% do PIB global por ano. Este investimento seria utilizado para patrocinar pesquisas e desenvolver tecnologias necessárias para atingir a ambiciosa meta.

Al Gore afirma em seu livro “A nossa escolha”, que precisamos de um empenho histórico para pôr as pessoas a trabalhar na construção da infra-estrutura e da base tecnológica para uma mudança maciça e rápida que nos afaste do carvão, do petróleo e do gás, e nos conduza a fontes de energia renováveis. Da mesma forma que Al Gore considera este um grande desafio para a nossa geração, percebe também uma oportunidade sem paralelo para enfrentar causas persistentes de sofrimento e miséria, reforçando a tese que temos de mudar muito mais do que nossas lâmpadas e janelas, pois o grande impacto está na mudança de leis e políticas públicas.

Com uma visão mais direcionada ao processo de mudança, Daniel Goleman, em seu livro Inteligência ecológica, defende o conceito de Ecologia Industrial, ciência que estuda todo o ciclo de vida de um produto e avalia os impactos causados no meio ambiente. O resultado deste estudo, segundo Goleman, deveria ser informado em cada produto na sua apresentação final para o consumidor. Desta forma acredita que o processo educacional de massa teria um efeito rápido, levando as pessoas a serem consumidores mais conscientes, o que como conseqüência traria regulação no processo industrial com foco na preservação dos recursos  naturais.

As diretrizes do plano de ação da União Européia para incentivar as tecnologias ambientais é um bom exemplo de esforço politicamente organizado para tratar as questões ambientais de forma objetiva, atuando na eliminação de obstáculos para desenvolvimento de tecnologias tais como:

  • Sistemas de reciclagem de águas;
  • Automóveis de menor consumo de combustível e menos poluente;
  • Utilização de fontes alternativas de energia tais como energia solar e eólica;
  • Eficácia no saneamento de solos

No entanto, a aplicação destes tipos de tecnologia enfrenta obstáculos  pelos aspectos econômicos inerentes a necessidade de investimento em pesquisa e mudança do paradigma da tecnologia tradicional em um ambiente de comércio global altamente competitivo. Surge a necessidade de regulamentos e normas que desdobrados em objetivos e metas de desempenho para produtos, processos e serviços, possa eliminar práticas de maior impacto negativo no menor tempo possível, melhorando também o equilíbrio social e ainda mantendo o desenvolvimento econômico.

Apesar dos esforços de organismos internacionais (ONU, CE, etc..) e da intensa mobilização de organizações não governamentais (Greenpeace, WWF, etc..), o tema desenvolvimento sustentável ainda carece de esclarecimentos para a sociedade, que em sua maioria percebe que algo de errado está acontecendo, principalmente quando ocorrem grandes catástrofes, porém tem dificuldade em compreender o papel de cada indivíduo como agente de mudança, delegando esta  exclusivamente para os líderes governamentais.

Os líderes mundiais, por sua vez, em sua maioria, estão muito mais preocupados com as questões de curto prazo, entorpecidos pela corrida desenvolvimentista, em um cenário de polarização “Norte/Sul” ou  “Ricos/Pobres”, que emperra práticas e iniciativas globais que efetivamente possam atuar na causa raiz do problema.

Existe ainda um grupo que acredita e prega a idéia de manipulação das informações sobre o clima e aplicação do chamado terrorismo ambiental como meio de coibir o crescimento dos países pobres e em desenvolvimento, e assim manter a supremacia político-econômica das potencias mundiais. A recente divulgação de emails trocados por pesquisadores da Universidade East Anglia, no reino unido, o chamado “climagate” causou forte impacto na sociedade, levantando dúvidas sobre a  real influencia do homem no aquecimento global.

Conclusão

O ser humano tem mostrado ao longo da história uma enorme capacidade de adaptação e superação diante das situações mais difíceis e complexas, e creio  que desta vez não será diferente com relação  as questões ambientais e os cuidados para com o futuro do planeta.

A sociedade está vivenciando um período de aprendizagem sobre as questões ambientais, algo como a adolescência no ciclo da vida humana, que em minha opinião, chegada a maturidade, teremos  na próxima geração o nível de conscientização  necessário para alinhar  ações governamentais e individuais em prol do verdadeiro desenvolvimento sustentável.

Vencida a resistência político-social, penso que a fronteira tecnológica não será empecilho, considerando o alto nível de desenvolvimento já alcançado nas áreas de Engenharia, Biologia e Telecomunicações entre outras, e o enorme potencial em pesquisas que aguardam pelos  volumosos investimentos necessários. Uma boa fonte destes recursos pode vir  da chamada Industria da guerra e sua corrida armamentista, que em um ambiente tão sonhado de paz mundial, poderia redirecionar  esforços humanos e financeiros para  redução da desigualdade social e  proteção ao meio ambiente.

Referências bibliográficas

UNIÃO EUROPÉIA. Plano de ação da União Européia para incentivar as tecnologias ambientais e promover a inovação, o crescimento e o desenvolvimento sustentável. S.I.: [s.n]

STERN, Nicholas. A BluePrint For a Safer Planet, 2009. The Bodley Head.

GORE, Al. A nossa escolha, 2009. São Paulo: Amarilys.

GOLEMAN, Daniel. Inteligência ecológica, 2009. Rio de Janeiro: Campus.

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