A insônia é um problema de saúde pública, afetando de 10% a 40% da população. Apresenta conseqüências sociais, psicológicas e médicas. (Stoller, 1994; Spielman et al., 1996; Leger et al., 2000; Partinen,2000).

por Tatiana Araujo Martins dos Santos

Introdução:
A insônia é um problema de saúde pública, afetando de 10% a 40% da população. Apresenta conseqüências sociais, psicológicas e médicas. (Stoller, 1994; Spielman et al., 1996; Leger et al., 2000; Partinen,2000).

Se caracteriza por uma dificuldade para iniciar ou manter o sono, ou um sono não reparador com prejuízo nas atividades sociais e/ou profissionais (Manual Diagnóstico e Estatístico de transtornos Mentais).

Na maioria dos casos, está relacionada à redução da quantidade de horas necessárias para um sono satisfatório, sabendo que essa quantidade ideal é uma característica individual, onde na população geral essa média é de 7 a 8 horas de sono.

Os pacientes com insônia costumam apresentar-se no dia-dia cansados, mal-humorados, sonolentos ou com sensação de confusão. Nem sempre apresentam queixa de sonolência diurna. E quando há uma cronificação do quadro, podem evoluir com distúrbios de memória e de concentração, ansiedade e irritabilidade, baixo rendimento profissional, prejuízo do convívio social e aumento do risco de acidentes com veículos automotores.

Existem vários fatores associados à insônia, que costumam interagir. São os fatores genéticos, físicos, biológicos, mentais, psicológicos e sociais, mas com pesos diferentes.

Principais causas de insônia:

  • Insônias associadas a hábitos e condições ambientais inadequados:
    • ambiente inadequado quanto à claridade, temperatura, barulho excessivo.
    • hábitos inadequados, como, horário de dormir irregular, uso de estimulantes a base de cafeína, ingestão de álcool, principalmente próximo ao horário de dormir, uso crônico de hipnóticos e envolvimento com outras atividades na cama antes de dormir, exceto atividade sexual, que costuma ter efeito relaxante.
  •  Insônias associadas a uso crônico de substâncias.
  • Insônias associadas a transtornos mentais:
    • Transtornos de ansiedade ou depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia, entre outros.
  • Insônias associadas a condições médicas:
    • Doença de Alzheimer; doença de Parkinson, hiper e hipotireoidismo, anemia, diabete, neoplasias, doenças infecciosas e fibromialgia.
  • Insônias associadas a distúrbios respiratórios do sono.
  • Insônias associadas a movimentos periódicos dos membros e à síndrome das pernas inquietas.
  • Insônias associadas à parassônias.
  • Insônias associadas a distúrbio do ritmo vigília-sono:
    • Tipo atraso da fase do sono; tipo mudança de fuso horário(Jet lag); tipo mudanças frequentes de turno de trabalho; tipo inespecífico.
  • Insônia psicofisiológica, idiopática e paradoxal.
    • Queixa de sono não reparador, não constatado objetivamente no exame polossonográfico.

Fatores desencadeantes ou perpetuantes:

  • Familiares: doença ou morte de familiares, separações, crises conjugais, problemas com filhos.
  •  Enfermidades: doenças graves, cirurgias e internações.
  • Violências: assaltos, estupros.
  • Econômicos ou profissionais: desemprego, problemas no trabalho, redução de renda.
  • Hábitos inadequados ou mudanças de ritmo: férias, viagens, uso abusivo de álcool, vida noturna.

Evolução:

  • Agudas: transitórias, situacionais e de curta duração. Não passando de duas a quatro semanas.
  • Crônicas: podem ocorrer devido à permanência dos fatores desencadeantes ou do aparecimento de fatores perpetuantes sobre um substrato constitucional.

Conclusão:

O paciente com insônia deve procurar um profissional qualificado para que seja realizada uma avaliação e investigação minuciosa, com o objetivo de encontrar a causa com posterior tratamento.

O tratamento costuma envolver uma abordagem médica, psicológica
e social, visto que todos esses fatores podem estar relacionados com a insônia.

Logo, deve-se partir para uma investigação das causas físicas, através da polossonografia.

Uma investigação dos fatores psicossociais, incluindo uma abordagem cognitiva, com esclarecimento ao paciente sobre a insônia, procurando desfazer pensamentos errados sobre o assunto. Corrigir hábitos inadequados que podem estar perpetuando o quadro, através de uma abordagem comportamental.Sugerir acompanhamento psicoterápico caso fique claro que a insônia esteja diretamente relacionada a causas situacionais do dia-dia.

E avaliar a necessidade de medicação para atenuação do sintoma. Apenas o médico poderá indicar o tratamento farmacológico adequado, devendo- se evitar automedicação, com o risco de criar um quadro de dependência ou até piora da insônia.

Concluindo, o objetivo do tratamento é que o paciente seja visto em sua totalidade, onde a insônia encontra-se inserida dentro de um contexto de vida.

Referências bibliográficas:

Leger D, Guilleminault C, Dreyfus JP, Delahaye C, Paillard M. Prevalence of insomnia in a survey of 12778 adults in France. J Consult Clin Psycho,1999; 67:405-10.

Partinen M. Epidemiology of sleep disorders. In: Kryger MH, Roth T,
Dement WC (eds.). Principles and practice of sleep medicine. Philadelphia: WB Saunders Company, 2000. p.558-79.

Pinto Jr L. Insônia. In: Tufik S (org.). Instituto do sono. Medicina e biologia do sono. Ed Manole Ltda.,2008. p.206-217.

Sadock B, Sadock V. Compêndio de Psiquiatria. In: Cancro R (sênior Ed), Edmondson J, Gabbard G, Grebb J, Manley M, Pataki C, Sussman N (eds.).Transtornos do sono. p.811-33.

Spielman AJ, Nunes J, Glovinsky PB. Insomnia. Neurol clin 1996; 18:55-7.

Stoller MK. Economic effectsof insomnia. Clin Ther 1994; 16:873-97.

The International Classification of Sleep Disorders. American Academy of Sleep Medicine. Diagnostic and coding manual. Westchester, Illinois,2005.

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